Poema de Casa

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Sem falar
Sem perder
Sem sofrer
Sem amar
(João Diniz)
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Sintam - se à Vontade

Convido - os a passear no universo mágico da poesia, façam de vossas vidas um soneto, um verso, uma rima.
"Mergulhem de cabeça, nesse incrível mundo das palavras"

Caseiros

O cão sem plumas

O cão sem plumas
João Cabral de Melo Neto

I. Paisagem do Capibaribe

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.


O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão

aquele rio
era como um cão sem plumas
nada saia da chuva azul
da fonte cor-de-rosa
da água do cpo de água
da água de cântaro
dos peixes de água
da brisa na água


Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.
Sabia da lama
como se uma mucosa
Devia saber dos polvos
sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras

Aquele rio
jamais se abre aos peixes
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes
jamais se abre em peixes

abre-se em flores
pobres e negras
como negros
abre-se numa flora
suja e mais mendiga
como são os mendigos negros
Abre-se em mangues
de folhas duras e crespos
como um negro.

Liso como um ventre
de uma cadela fecunda
o rio cresce
sem nunca explodir.
Tem, o rio,
um parto fluente e invertebrado
como o de uma cadela.



(fragmentos)

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